“Proibido fumar” tem samba rock como tempero

Greice SRNV (Greice Gonçalves) 6 de dezembro de 2009 1

O filme “Proibido Fumar”, de Anna Muylaert, é uma boa dica de cinema nacional, ganhador de diversos prêmios e boa aceitação de Crítica, o Filme “Proibido Fumar” fala de música e desejo fora do lugar e tem tudo pra ser um grande sucesso de bilheteria.

Filme Proibido Fumar

O Filme “Proibido Fumar” conta a história de Baby (Gloria Pires) perto de fazer 40 anos, Baby vive só no apartamento que herdou da mãe, dando aulas de violão para alunos desinteressados, disputando com as irmãs cacarecos de família, e fumando um cigarro atrás do outro. Quando Max (Paulo Miklos), músico que vive de tocar sambão em uma churrascaria, se muda para o apartamento vizinho, ela lembra que a vida pode ser mais interessante. Por amor, enfrentará uma luta desesperada contra o cigarro, sem saber que uma ameaça muito maior à sua felicidade a espera na esquina.

Uma virada que tempera com tons sombrios um roteiro romântico e cheio de ironia vai pegar de surpresa o público de É Proibido Fumar, segundo longa-metragem de Anna Muylaert, que chega aos cinemas dia 4 de dezembro, com distribuição da Playarte.

A química do casal formado por Glória Pires e Paulo Miklos, o humor inteligente e uma trilha sonora que vai de Villa Lobos a samba rock se somam no novo filme da diretora de Durval Discos (2002), premiado sete vezes em Gramado, e co-roteirista de O Ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger (2006).

Em “É Proibido Fumar”, ela volta a exercitar o sentido para a crônica e a comédia irônica, assim como a capacidade de surpreender o público com acontecimentos que mudam o rumo dos personagens e alteram o tom do filme. “A história vai indo dentro de um cotidiano e, de repente, tudo ganha um contorno mais sombrio”, conta Glória Pires. “Essa reviravolta inesperada corta o clima leve da trajetória não só da Baby, mas do filme todo.”

Com personagens totalmente desglamourizados, mas ainda assim cativantes, o filme fala de amor e solidão na cidade. “Tinha muita vontade de falar da dificuldade das relações, de como superar, quebrar, furar as paredes da relação”, diz Anna. “Acho que por isso, também, a metáfora do prédio; os apartamentos como corpos, separados por paredes.”

“Acho que o filme trata das grandes dificuldades da vida moderna”, diz Glória Pires. “Às vezes, quanto mais perto das pessoas a gente está, mais difícil fica o contato. É a vida na metrópole, onde os espaços são delimitados, e os sentimentos têm que caber em determinadas situações”.
Rodado em seis semanas em São Paulo, e fruto de um processo de desenvolvimento de roteiro que tomou seis anos, É Proibido Fumar tira partido do encontro inédito de Glória Pires, uma das atrizes brasileiras mais experimentadas pelo cinema e a TV, e Paulo Miklos, que começou sua carreira no cinema com uma premiada performance em O Invasor (2002), de Beto Brandt, e fez Boleiros 2 (2006) e Estômago (2007).

A escolha de um não-ator para par de Glória foi uma tentativa de afastar do filme a identificação com uma estética audiovisual conhecida. “Testamos outros atores, mas a mistura não tinha rock’n roll”, diz a diretora.

Na TV desde os sete anos e no cinema desde os 19 – fez Índia, a Filha do Sol, em 1982 –, Glória pôs a serviço da criação de Baby uma concentração e um método próprio “impressionantes”, segundo Anna. Também consultor musical do filme, o Titã Paulo Miklos empresta a Max seu vasto repertório no campo da música. “Eu já fui muitos músicos diferentes”, conta. “Tenho amigos músicos de todas as facções e, entre eles, tem sempre um Max.”

Em torno da dupla Max-Baby, move-se um elenco de talentos escolhidos a dedo para participações pequenas e precisas. Nos papéis das duas irmãs de Baby, o filme tem Marisa Orth, que contracena pela primeira vez com Glória Pires, e a atriz e diretora Dani Nefussi, que passou pelo Teatro da Vertigem e pelo CPT de Antunes Filho. A atriz e performer Alessandra Colassanti é Stellinha, ex-namorada de Max; e Antonio Edson, do Grupo Galpão de teatro, dá densidade a um personagem que irá se tornar fundamental na trama: o porteiro Chico.

Estruturado segundo um esquema tradicional de roteiro, É Proibido Fumar busca ritmo e constrói sua personalidade com sutilezas. “Há coisas que não necessariamente serão percebidas, como a relação entre o desenrolar da trama e a história de Baby com o cigarro, ou a forma como o figurino dela, inteiro comprado em brechós, vai mudando à medida que ela se aproxima do Max, de roupa de vovó para uma coisa mais rock”, diz Anna.

Uma graça extra, as participações especiais ajudam a compor a crônica do universo dos personagens. Antônio Abujamra, que faz o síndico do prédio de Baby, contracena com o filho André e o neto José; Paulo Cesar Pereio é o dono da churrascaria onde Max toca; Marcelo Mansfield e Etty Fraser têm micro-esquetes no elevador; a atriz e diretora de casting Paula Pretta vive a manicure que dá conselhos de beleza a Baby; Theo Werneck e o rapper Thogun surgem numa jam caseira com Max; e Pitty e Lourenço Mutarelli protagonizam uma hilária sátira à visita imobiliária.
A garimpagem musical que resulta na trilha de É Proibido Fumar é uma atração à parte. A música do filme tem duas vertentes. Os Estudos para Violão de Heitor Villa Lobos, tema de Baby, dominam as sequências iniciais. À medida que Max entra na vida da personagem, surge o ritmo contagiante de faixas esquecidas dos anos 60/70, na confluência do pop e do samba, assinadas por nomes como Bola Sete, Juca Chaves e Jorge Ben. No final, Do you Like Samba?, de Cyro Aguiar, compõe um comentário irônico ao inesperado desfecho da história.

Para Anna Muylaert, o filme tem uma história simples, contada de modo particular. Mais comercial que Durval Discos, não deixa de oferecer diferentes possibilidades de interpretação, no final. “É um pouco o que acontecia com os filmes que eu ia ver na Praça Roosevelt na adolescência. É Proibido Fumar é um filme mais aberto do que a média do que se faz hoje”, diz.

Fonte: www.culturadebolso.com.br / Escrito por: Davi Sant´anna / Sobre o autor: Produtor da TV de Bolso e editor de conteúdo da Cultura de Bolso.Org

Samba rock é cultura, passe adiante.
Samba Rock Na Veia



One Comment »

  1. Cyro 6 de dezembro de 2009 at 18:29 -

    Excelente resenha, o que faz você querer ver o filme. Sem mencionar o elenco, Pereio, os músicos, tres gerações de Abujamras! Imperdível.

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